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quarta-feira, 16 de março de 2011

O homem para Sócrates


SÓCRATES E A NATUREZA HUMANA
           
            Partindo da temática: “Sócrates e a natureza humana”, a seguinte pesquisa tentará apresentar uma solução para o problema que indaga sobre o que é a natureza ou realidade última do homem. Tal solução dar-se-á por meio da tese a que se concluirá, a partir da fundamentação teórica que, para Sócrates, o homem é a sua alma – psyché. Visando alcançar o objetivo geral da pesquisa, que, a partir do pensamento de Sócrates, pretende comprovar que o homem é a sua alma – psyché, tentaremos demonstrar que a essência humana utiliza o instrumento, que é o corpo, não sendo, pois, o próprio corpo.
            O corpo, para Sócrates, é considerado um instrumento da alma. Todo instrumento pode receber seu apreço ela função que exerce, sendo por isso elogiado ou criticado por não corresponder ao seu objetivo ou por implicar limitações.
            Sócrates dirá:

Quando é, pois, que a alma atinge a verdade? Temos dum lado que, quando ela deseja investigar com a ajuda do corpo qualquer questão que seja, o corpo, é claro, a engana radicalmente. (PLATÃO. Fédon – a morte como libertação do pensamento. São Paulo: Abril Cultural, 1979. p. 66.(Os Pensadores)

O filósofo, ao dizer da impossibilidade de se alcançar a verdade com a ajuda do corpo, expõe que apenas por meio da alma se alcança aquilo que ele denomina verdade. E a alma somente pode atingir a verdade uma vez que separada do corpo, na morte.
            Para Sócrates, a alma se apresenta como uma substância específica imaterial, não composta e essencialmente distinta do corpo material. Evidentemente, se a essência do homem é a alma, cuidar de si mesmo implica em cuidar da própria alma mais do que do corpo. Assim, não se pode responder que o homem é o seu corpo, mas que ele se serve do seu corpo. Por quanto é a sua alma que o distingue de qualquer outra coisa, dando-lhe em virtude de sua história, uma personalidade única. Aquilo que se serve do corpo, para Sócrates, é a alma – psyché – e, com isso, ele conclui que é a alma que ordena o homem ao conhecimento e o adverte a conhecer, sobretudo, a si mesmo.
            Concluímos, portanto, que, à questão sobre o que é a essência do homem, sua natureza e realidade última, Sócrates responde que o homem é a sua alma e a entende como razão e sede da atividade pensante e, por meio dela – alma –, o homem age eticamente na sociedade, sendo assim, o consciente onde habita a virtude. A alma é a consciência e a personalidade intelectual e moral.

Aldo César dos Reis Borba Júnior
Graduando em filosofia

REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS:

PLATÃO. Fédon – a morte como libertação do pensamento. São Paulo: Abril Cultural, 1979. p. 66.(Os Pensadores)

ABBAGNANO, Nicola. Dicionário de Filosofia. São Paulo: Martins Fontes, 1999. p. 210; 211.

REALE, Giovanni. História da filosofia: Antiguidade e Idade Média. São Paulo: Paulus, 1990. p. 87. (Coleção filosofia)

quinta-feira, 3 de março de 2011

Areté: Hesíodo e Homero

ARETÉ: A VIRTUDE COMO TRABALHO DIGNO E PRINCÍPIO FORMADOR QUE QUALIFICA O HOMEM


Esta pesquisa pretende, a partir da fundamentação teórica acerca dos autores – a saber: Homero e Hesíodo - esclarecer o conceito de areté na perspectiva de Homero e Hesíodo. O que seria então areté? É possível termos duas formas de areté ou este conceito defini-se pela posição social que ocupa quem define tal conceito? Partindo da bibliografia pesquisada tentaremos responder tais indagações.

A virtude (areté) não vem da riqueza, mas sim a riqueza da virtude, bem como tudo o que é bom para o homem, na vida particular ou na vida pública. (Platão, Cit. In Cordón & Martinez, 1995: pág.110)

 Como tema fundamental para a educação grega sempre presente nas grandes discussões que o séc. V a. C. conhece, areté vincula-se à formação, sobretudo em Homero, pelo fato de que formar é tornar o homem melhor, mais virtuoso.
Em Homero, na Ilíada e na Odisséia, o termo areté aparece de forma explícita. A areté é algo que necessariamente precisa ser procurado e conquistado. O herói homérico é definido pela areté. Areté pode significar uma qualidade do corpo, tal como força ou agilidade (Ilíada, canto XX, verso 411). A noção de areté, como virtude, significava o mais alto ideal cavalheiresco aliado a uma conduta cortesã e ao heroísmo guerreiro.  Também era identificada a atributos da nobreza, e, em seu mais amplo sentido, não significava não apenas a excelência humana, mas também a superioridade de seres não-humanos, como o poder e força dos deuses ou a rapidez dos nobres cavalos.
Só em alguns momentos, nos livros finais das epopéias, Homero vai identificar areté com qualidades morais ou espirituais. Em termos gerais, significa força e destreza dos guerreiros, valor heróico intimamente ligado à força física. Em Homero, a virtude é, portanto, atributo dos nobres, os aristoi. Aristoi são os possuidores de areté que, sendo parte de uma minoria que está acima da multidão de homens comuns. A virtude está estreitamente associada às noções de honra e de dever, representa um atributo que o indivíduo possui desde o seu nascimento e que lhe é manifesto a partir de antepassados ilustres.

Vejamos a declaração de Aquiles:
Mandou-me para Tróia, recomendando-me com insistência que fosse sempre valente (aristeúein) e superior aos outros, a fim de não envergonhar a linhagem paterna, a mais conceituada (áristos) em Éfira e na vasta Lícia. (Ilíada, canto VI, versos 207-210)
Aquiles desmonstra, com clareza e precisão, o objetivo do herói descrito por Homero. É evidentemente superior aos outros, alguém que deva instaurar seu nome na memória das gerações posteriores, mesmo que para isso, sua própria vida seja breve em detrimento da glória
            Diferentemente da definição que descrevemos acima, na qual concebemos uma sociedade aristocrática onde os trabalhadores são vistos como seres inferiores, Hesíodo traz à reflexão, textos nos quais o trabalhador é revestido de dignidade.
            Hesíodo tenta demonstrar que o ato heróico não se manifesta apenas na ação dos guerreiros homéricos. O heroísmo também pode ser encontrado no trabalho dos camponeses. Para Hesíodo o bem estar provém da areté dos trabalhadores e o único meio pelo qual é possível alcançá-la está no trabalho.
            A justiça para Hesíodo, além de ser uma qualidade humana (areté) é uma deusa, filha de Zeus, que anda entre os homens analisando a aplicabilidade da justiça humana e punindo com  a justiça divina as injustiças observadas.
“A partir de Hesíodo, surge a idéia de que areté (virtude) é filha do esforço e o trabalho é o fundamento e a salvaguarda da justiça.” (Os Pré-Socráticos, p 13)


REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS:

HOMERO – Ilíada, tradução de Carlos Alberto Nunes, Rio de Janeiro: Ediouro, 2001.
Os Pré-Socráticos – Vida e Obra. São Paulo: Nova Cultural, 1999. p. 7-13. (Os Pensadores)

quarta-feira, 15 de dezembro de 2010

ENSAIO SOBRE A ORIGEM DO MUNDO

A origem, transformação ou criação do mundo pode ser pensada a partir de vários aspectos, tanto científicos quanto mitológicos ou religiosos. O presente ensaio tentará alcançar possibilidades coerentes que, ao menos, se aproximem de algo que sustente seus argumentos e esclareça a verdade ainda ofuscada pelas diversas teorias.

A mitologia grega demonstra-se rica em explicações sobre a origem do mundo. Primeiro nasceu o Caos, a existência indistinta; depois nasceram a terra (Gaia) e Eros. O Caos gerou a Noite, que gerou o Dia. A Terra gerou o Céu (Urano), as Montanhas e o Mar; uniu-se ao Céu (Urano) e gerou os Titãs, Réia, Têmis, Memória, os Ciclopes, fabricantes do raio, os gigantes, de cinquenta cabeças e cem braços, e Cronos, o tempo. [1]

Já Aristóteles, muito depois da era mitológica, ao falar sobre a origem do mundo dirá que o mesmo sempre existiu, é eterno. Seu deus é o primeiro motor e não é o criador do mundo. De modo não tão distante, Platão concebe a idéia do “deus” chamado demiurgo. Esse teria modelado o mundo segundo um plano definido, porém, não seguia seu próprio projeto, mas o modelo das Idéias eternas e, ele tinha de imprimir o selo das Idéias em uma matéria caótica e recalcitrante que ele próprio não havia criado. E, diante disso, ele – o demiurgo – se tornou um regulador que introduziu a razão em uma matéria irracional[2]. Platão considerava o universo visível como sendo também um ser divino, imagem do Deus supremo, que é o reino das Idéias.

A origem do mundo, ou simplesmente sua criação, pode ser refletida de vários modos e a partir de aspectos tanto religiosos quanto científicos e filosóficos. Descartes afirma que o mundo físico é criado por Deus, uma vez que essa criação sustenta-se na onipotência divina, em nome da qual pode-se legitimamente supor que o mundo existe, como criação de um ser que tudo pode. Diversas religiões tradicionais têm em seus campos doutrinais e críveis, várias teses que tentam atribuir à um único Deus a origem do mundo. Hinduísmo, Confucionismo, Cristianismo, Judaísmo, entre outras religiões, trazem à reflexão o papel de seu deus na obra criadora do universo. Dirá um escrito Etíope da Sabedoria Africana: “Nós não vemos Deus, mas tudo o que vemos é obra Dele”.

Opondo-se à explicação mitológica acerca da origem do mundo, os antigos gregos pré-socráticos – criam que o mundo era um organismo vivo, a divina fonte de todos os seres vivos e até dos deuses. Os pré-socráticos consideravam a physis como o princípio de todas as coisas e, diante disso, até o ser divino era transformação a partir da matéria e juntos, deus e matéria, formavam um todo indiviso. Tales de Mileto considerava a água como origem de todas as coisas, e, segundo Aristóteles, os antigos expressavam a mesma idéia, de uma maneira mitológica, quando afirmavam que Oceano e Tétis estavam nas origens do mundo[3]. Heráclito, por sua vez, considerava o fogo como princípio de todas as coisas. Os quatro elementos de Empédocles (terra, água, ar e fogo) ostentavam os nomes dos deuses olímpicos; de sua união, pela força do amor, surgiram todas as coisas, o sol, a terra, as árvores e até mesmo os “deuses eternos”.[4]

Contrapondo a teoria da eternidade do mundo de Aristóteles e Platão, a Igreja Católica ensina que o mundo não existe desde toda a eternidade, mas teve um princípio no tempo. O progresso da física atômica permite inferir, pelo processo de desintegração dos elementos radiativos, qual seja a idade da terra, o que supostamente provaria o princípio do mundo no tempo, conforme discurso do Papa Pio XII no dia 22 de Novembro de 1951. Porém, isso ainda contradiz a tese de Tomás de Aquino, um dos principais pensadores da fé Católica. Tomás de Aquino guarda a maior fidelidade possível ao Aristotelismo que não rejeita completamente a hipótese da eternidade do mundo. O Aquinate, na primeira parte da Suma Teológica, afirma que somente pela fé se sustenta que o mundo não existiu sempre e nem é possível demonstrar este dado pela razão natural.[5]

Em oposição à origem do mundo por meio de um deus “criador” surgem vários argumentos. O filósofo inglês John Locke não aceitava a criação como obra a partir do nada. Para ele, o mundo só poderia ter sido criado por meio de uma elaboração ou ordenação de uma matéria já existente. Hegel não consegue imaginar a idéia de Deus sem a existência do mundo e a criação é concebida em sentido naturalístico, como evolução, ou em sentido idealístico, como atividade universal do espírito. O americano George Gamow explica a criação de maneira inovadora ao propor a “teoria moderna do Big Bang”. Segundo George Gamow, o universo expandiu-se rapidamente a partir de um estado inicial de alta compressão, o que teve como resultado uma significativa redução de densidade e temperatura. Logo depois, a matéria passou a predominar sobre a antimatéria. Depois de alguns segundos com a possível presença de alguns tipos de partículas elementares, o universo teria se resfriado o suficiente para surgirem núcleos de gases, como: hélio, lítio e hidrogênio. Após isso, formaram-se os primeiros átomos. E, em seguida, houve o preenchimento do universo através de sua expansão por um período de aproximadamente 15 bilhões de anos.

Concluindo, portanto, ao nos depararmos com as mais diversas teorias acerca da origem do mundo, percebemos também a necessidade do ato de acreditar em alguma delas ou em nenhuma. O mundo fora criado, transformado, movimentado, etc. improváveis teorias ainda falam de outras possibilidades pouco coerentes. Tendo sido algo, sem dúvida alguma, material – e ainda o é – o mundo é sempre um problema para os pensadores, sobretudo, quando se põe em pauta o problema de sua origem.

Aldo César dos Reis Borba Júnior
Seminarista diocesano graduando em filosofia

Bibliografia:

HESIODI – Theogonia Opera et dies Scutum. Edidit Friedrich Solmsen. Fragmenta selecta ediderunt. R. Merkelbach ET M. L. West. Oxford, Clarendon Press, 1966.
ABBAGNANO, Nicola. Dicionário de Filosofia. São Paulo: Martins Fontes, 1999.
ROCHA, Ronaldo (org.). Diamante do Saber: Introdução ao estudo de Filosofia. Uberlândia: Edição independente.

[1] Hesíodo, Teogonia
[2] Platão, Timeu, 30
[3] Aristóteles, Metafísica, i, 3
[4] Empédocles, Os pré-socráticos, B 21, 23.
[5] Suma Teológica q. 46, a. 2, c.

sexta-feira, 16 de abril de 2010

O método da filosofia

O método da filosofia

O método da filosofia pode ser um conjunto de procedimentos racionais utilizados para o estabelecimento e a demonstração da verdade. Seu objetivo e utilidade consistem em conduzir bem a razão humana e procurar a verdade. Se, de fato, existe tal busca pela verdade, não se deve andar sem direção, pois mais importante que ter um bom espírito é aplicá-lo bem: método.


Platão aperfeiçoa o método Socrático que, por meio de perguntas destruía o conhecimento constituído e depois o reconstruía para procurar a definição do conceito. Aristóteles baseia-se nas descobertas de seus antecessores e as sistematiza. Na Idade Moderna surge a questão do método, na qual ele é questionado e, sobretudo ocorre a descoberta da subjetividade. Isso surge propriamente com Descartes, quando este, não procura a discussão que surge após a intuição, mas a própria intuição intelectual e o método para alcançá-la. Ele diz:

“Por método, entendo regras certas e fáceis graças às quais aqueles que as observam atentamente jamais suporão verdadeiro aquilo que é falso e chegarão, sem cansaço e esforços inúteis, ao conhecimento verdadeiro daquilo que eles podem alcançar.”


Seu método é inteiramente dominado pela razão.

De tal pensamento originam-se duas vertentes antagônicas: o empirismo e o racionalismo. Kant posteriormente, com o criticismo, tenta averiguar o alcance das afirmações racionais. Comte, com o positivismo, propõe um método considerando apenas aquilo que pode ser medido e controlado pela experiência e descartando as formas “imperfeitas” de conhecimento. Hegel desenvolve o método dialético na versão idealista e logo Marx e Engels com a proposta materialista. Não se confunde com a dialética platônica. Husserl dá inicio ao método fenomenológico, através do qual tenta superar o rompimento entre o racionalismo e o empirismo.


Alguns outros métodos poderiam ser citados, mas o que se quer dizer é que quanto à razão e ao senso existente em cada um dos homens, considerando a opinião dos filósofos que afirmam essa igualdade, concluímos, portanto, que a diversidade das opiniões está na direção dos pensamentos por caminhos diferentes sem considerar as mesmas coisas e não a possibilidade de uns serem mais racionais que outros.

Aldo César dos Reis Borba Júnior
Seminarista Diocesano

domingo, 7 de fevereiro de 2010

Política ou politicagem?

A lei é uma ordenação da razão no sentido de que se apoia em considerações que a justifica. Para Aristóteles, filósofo grego que instituiu a política no Ocidente: “ordenar é o ofício do sábio”. A política é um meio pelo qual se ordena a razão, expondo-a em forma de leis que devem promover e assegurar o bem comum da sociedade.

O ser humano tem trabalhado em prol do desenvolvimento de novas leis, que propõe uma sociedade melhor, mas nem sempre os resultados são positivos. No sistema político do século 21 existem algumas falhas que comprometem sua finalidade. Essas falhas têm crescido gradativamente a ponto de chegarmos a uma possível crise, que no Brasil já é notável. As pessoas que possuem o encargo de “coordenar a razão” nem sempre são fiéis à política e ao sistema pelos quais ela é desenvolvida. Alguns políticos usam a arte de persuadir e ludibriar para conquistar a sociedade e fazer carreira, o que poderia ser chamado de politicagem, bem diferente do político que visa ao bem comum fundamentado na verdade.

Verifica-se, assim, que a maneira como os governantes vêm conduzindo a sociedade não está de acordo com os princípios da política. Faz-se necessário, então, que o povo exija atitudes sérias e responsáveis dos políticos para que, juntos, povo e governo construam uma sociedade realmente democrática e igualitária.

Aldo César dos Reis Borba Júnior

Seminarista Diocesano

Artigo publicado no "Jornal Correio de Uberlândia" - coluna: "Opinião do leitor"; edição do dia 03/02/2010

http://www.correiodeuberlandia.com.br/blog/CORREIOWEB/38/opiniao_do_leitor.html

quinta-feira, 10 de dezembro de 2009

Continuação do artigo sobre "O Problema dos Universais" (II)


Conceito

Chama-se universal aquilo que se encontra sempre idêntico em uma multidão de indivíduos, um em muitos “unum in multis”.

“Aquilo que é expresso por um termo geral, isto é, tal que possa ser predicado de diferentes sujeitos.” (Aristóteles)

(Nossas sensações e nossas imagens, diretamente e por si mesmas, nos apresentam o individual; nossas idéias, diretamente e por si mesmas, nos apresentam o universal.)

Sendo individual ou singular aquilo que existe na realidade das coisas, como pode ser verdadeiro o conhecimento que adquirimos pelas nossas idéias, visto que que esta só nos apresentam diretamente o universal?
Este problema sem dúvida não é em si, mas sim para nós homens, o primeiro e o mais grave dos problemas filosóficos. Com efeito, tem por objetivo a própria inteligência e as idéias, isto é, o instrumento de toda nossa ciência; e a atitude adotada a seu respeito pelos vários filósofos domina todas as outras posições.



A questão dos Universais


A discussão filosófica em torno dos universais remonta à Grécia antiga, quando Sócrates teria afirmado a existência real das idéias, ou conceitos, posteriormente denominados “universais”. Esses conceitos, em sua expressão linguística, tanto podem ser os substantivos abstratos (“justiça”, “virtude”,”beleza”, “bondade”, etc.), como os substantivos concretos comuns (“homem”, “árvore”, “pedra”, etc.) Contra os sofistas, Sócrates asseverava que o verdadeiro objeto do conhecimento é aquilo que existe de comum em todos os seres individuais de determinado grupo, e não aquilo que distingue particularmente cada um deles. Noutros termos, as idéias formam a única realidade de fato: não perecível, imutável, captável somente pelo espírito. São elas, e não suas manifestações particulares, o único objeto digno do conhecimento filosófico. Para ele, a existência das idéias antecipa, possibilita a sua própria materialização em casos particulares, perceptíveis pelos sentidos. Por exemplo: as ações bondosas pressupõem a existência da idéia de bondade.
O “idealismo”, tradição filosófica advinda da teoria das idéias que Platão atribui a Sócrates, é representado no período pré-tomista, mais precisamente no século XII, com características singulares à época, pelos “realistas”, “nominalistas” e “conceptualistas”. O principal problema tratado é o dos universais, do valor dos conceitos, das idéias para o conhecimento. Constitui-se em uma retomada do problema da unidade e da multiplicidade.
São três as soluções ofertadas:

Realismo transcedente: os universais são seres concretos de existência real: constituem a mais autêntica realidade. O universal, ou idéia de uma realidade, tem existência fora da mente e do objeto (existe antes das coisas). Esta é a posição platônica, imcorporada pelos primeiros pensadores escolásticos. A forma branda do realismo é o realismo moderado, para o qual o universal tem uma realidade objetiva, fora da mente, mas é imanente nos objetos singulares do qual è essência, forma ou princípio ativo (existe no objeto). Corresponde à posição aristotélica, que será a adotada por Santo Tomás de Aquino.

Nominalismo (realismo absoluto) : o universal não tem existência objetiva, só nominal, ou seja, existe apenas como nome do objeto, como palavra (existe depois da coisa). A realidade é constituída pelos entes individuais, e o universal não é senão uma simples emissão sonora (flatus vocis), meros nomes.

Conceptualismo (realismo moderado) : o universal é o conceito, entidade mental, sem existência objetiva. Esta seria uma posição que se poderia considerar intermediária entre as duas primeiras, não recusava aos universais todo e qualquer tipo de existência; não os enxergava, contudo, como seres concretos, de existência independente da mente que os concebe.





Segundo Sto. Tomás de Aquino, o universal não tem apenas uma existência post rem no nosso intelecto, uma existência in re nas coisas particulares; ele tem uma existência ante rem no espírito divino.

Filosofia de Aristóteles e de Santo Tomás: (Realismo moderado)



Filósofo


Pedro Abelardo



Vida

Pedro Abelardo (1079-1142), filósofo e teólogo francês, nasceu em Le Pallet, próximo a Nantes, na Bretanha. Sua formação intelectual baseou-se no estudo do trivium. Mais tarde, ele estuda sob orientação dos mestres Roscelino, grande representante da escola nominalista, e Guilherme de Champeaux, defensor do realismo dos universais.
Abelardo é considerado um dos fundadores da escolástica medieval, juntamente com Santo Anselmo (1033-1109), que foi arcebispo de Cantuária e ficou conhecido por seu “argumento ontológico”. Levou ainda mais longe o esforço de Santo Anselmo no sentido de explicar racionalmente as verdades da fé, chegando mesmo a ultrapassar os limites aceitos pela ortodoxia ao submeter os dogmas às exigências críticas da dialética, que ele sabia manejar habilmente.

Sofreu a acusação de heresia por várias vezes, devido à liberdade que se permitia no debate de algumas questões. Ora, ao utilizar a dialética, enquanto disputa argumentativa embasada apenas na razão, Abelardo foi repreendido por pretender abranger os mistérios da religião apoiado unicamente na força humana.

Ao aculpar-se com o principal problema filosófico da primeira metade do século XII (o problema dos universais), ele, depois, como professor de lógica, o aprofunda e intensifica.
Célebre por seu amor por Heloísa, pelo qual foi castrado pelo tio de Heloísa, terminou seus dias encerrado em um mosteiro estudando.


Aspectos da posição de Abelardo

A questão dos universais foi precisada pela lógica de Aristóteles, comentada e transmitida à posterioridade por Porfírio e depois Boécio (480-524), chegando a Abelardo através de seus mestres Roscelino e Champeaux.

À questão dos universais, Abelardo dá uma solução que ao mesmo tempo afasta-se do realismo, do nominalismo e do conceptualismo e, ao mesmo tempo, integra seus elementos.
Para ele, os universais constituem palavras significativas, e não meras emissões sonoras. Por si mesmos, os universais existem no intelecto, mas referem-se a seres reais.

Num segundo momento, enquanto nomes, os universais são corpóreos, pois têm a natureza dos sons emitidos pela voz humana; porém, sua função significativa é incorpórea, já que servem para designar umja pluralidade de indivíduos semelhantes.

Também, segundo Abelardo, há universais que existem completamente fora de qualquer possibilidade de percepção sensível (o universal “alma”, por exemplo); e outros que existem no sensível (os referentes às formas dos corpos, enquanto as designam) e fora dele (quando designam as formas dos corpos como que separados do sensível através da abstração).

Abelardo, ainda, levanta uma quarta questão: se não houvesse os indivíduos correspondentes, os universais subsistiriam? A resposta reclama a consideração de dois aspectos:

1. a significação dos universais enquanto nomes imediatamente referidos a indivíduos: os universais cessariam de existir, não havendo indivíduos a serem designados.

2. a significação dos universais enquanto conceitos: os universais continuariam existindo.





Nunca seria de mais insistir sobre a importância do problema do universal. É por terem negligenciado o seu estudo que tantos filósofos e sábios de nossos dias, permanecendo apegado à idéia ingênua de que a ciência deve ser pura e simples cópia, um decalque da realidade individual, vivem a repisar contra a abstração, condição primeira e essencial de toda ciência humana, princípios das ciências, principalmente das ciências matemáticas, teorias tão vãs quanto trabalhosas, e que comportam como único resultado final a destruição radical do conhecimento. (Jacques Maritain)



Obras de consulta

Maritain, Jacques, Introdução Geral à Filosofia, Rio de Janeiro: Agir, 1966

Rocha, Ronaldo (org.), Diamante do Saber

Mondin, Batista, Curso de Filosofia, São Paulo: Ed. Paulinas, 1983, 1º volume

Coleção Os Pensadores, São Paulo: Abril Cultural, 1979

Lalande, André, Vocabulário Técnico e Crítico da Filosofia, São Paulo: Martins Fontes, 1999




Aldo César dos Reis Borba Júnior
Per la gloria di Dio e per la Chiesa

quinta-feira, 19 de novembro de 2009

Sobre o Problema dos Universais: contexto histórico, Escolástica, conceito e filósofo

Aldo César dos Reis Borba Júnior, Org.




Contexto histórico

A invasão dos bárbaros, no séc. V, destruiu no Ocidente a civilização romana e iniciou a Idade Média. Os bárbaros, que irromperam de todos os lados, provocaram novas condições políticas e sociais adversas à conservação e ao desenvolvimento da cultura intelectual. Por isso, os quatro primeiros séculos da Idade Média são obscuros, um período de estagnação intelectual em que não houve filosofia propriamente dita, mas houve a preocupação de salvar os restos da cultura que estava sendo arruinada pelas hordas dos visigodos, suevos, ostrogodos, francos e principalmente vândalos.
O grande trabalho dos intelectuais dos primeiros séculos medievais, portanto, não foi criador, mas compilador. E este trabalho se deve principalmente aos monges, que recolheram em seus conventos muitos manuscritos antigos, que encerravam as sabedorias dos séculos anteriores. Aos poucos, porém, os bárbaros, vencedores, acomodaram-se à nova situação política e passaram a aceitar os usos e costumes dos povos vencidos, convertendo-se ainda ao Cristianismo. Com isso houve um ressurgimento da cultura e gradativamente as manifestações científicas e filosóficas apareceram, predominando então a "Escolástica", como principal corrente filosófica.


A Escolástica

A Escolástica (ou Escolasticismo) é uma linha dentro da filosofia medieval, de acentos notadamente cristãos, surgida da necessidade de responder às exigências da , ensinada pela Igreja, considerada então como a guardiã dos valores espirituais e morais de toda a Cristandade. Por assim dizer, responsável pela unidade de toda a Europa, que comungava da mesma fé. Esta linha vai do começo do século IX até ao fim do século XVI, ou seja, até ao fim da Idade Média. Este pensamento cristão deve o seu nome às artes ensinadas na altura pelos escolásticos nas escolas medievais. Estas artes podiam ser divididas em Trivium (educação) (gramática, retórica e dialéctica) ou Quadrivium (aritmética, geometria, astronomia e música). A escolástica resulta essencialmente do aprofundar da dialética.

A Filosofia que até então possuía traços marcadamente clássicos e helenísticos, sofreu influências da cultura judaica e cristã, a partir do século V, quando pensadores cristãos perceberam a necessidade de aprofundar uma fé que estava amadurecendo, em uma tentativa de harmonizá-la com as exigências do pensamento filosófico. Alguns temas que antes não faziam parte do universo do pensamento grego, tais como: Providência e Revelação Divina e Criação a partir do nada passaram a fazer parte de temáticas filosóficas. A Escolástica possui uma constante de natureza neoplatônica, que conciliava elementos da filosofia de Platão com valores de ordem espiritual, reinterpretadas pelo Ocidente cristão. E mesmo quando Tomás de Aquino introduz elementos da filosofia de Aristóteles no pensamento escolástico, esta constante neoplatônica ainda é presente.
Basicamente, a questão chave que vai atravessar todo o pensamento escolástico é a harmonização de duas esferas: a fé e a razão. O pensamento de Agostinho, mais conservador, defende uma subordinação maior da razão em relação à fé, por crer que esta venha restaurar a condição decaída da razão humana. Enquanto que a linha de Tomás de Aquino defende uma certa autonomia da razão na obtenção de respostas, por força da inovação do aristotelismo, apesar de em nenhum momento negar tal subordinação da razão à fé.
Para a Escolástica, algumas fontes eram fundamentais no aprofundamento de sua reflexão, por exemplo os filósofos antigos, as Sagradas Escrituras e os Padres da Igreja, autores dos primeiros séculos cristãos que tinham sobre si a autoridade de fé e de santidade.
A busca da harmonização entre a fé cristã e a razão manteve-se, no entanto, como problema básico de especulação filosófica. Nesse sentido, o período escolástico pode ser dividido em três fases:

· Primeira fase (do séc. IX ao fim do séc. XII): caracterizada pela confiança na possibilidade de haver uma perfeita conciliação e harmonia entra a fé e a razão.

· Segunda fase (do séc. XII ao princípio do séc. XIV): caracterizada pela observação de grandes sistemas filosóficos, merecendo destaques as descobertas de Santo Tomás de Aquino. Nessa fase, considera-se que a harmonização entre fé e razão pôde ser parcialmente obtida.

· Terceira fase (do séc. XIV ao séc. XVI): decadência da escolástica, caracterizada pela afirmação das diferenças fundamentais entre fé e razão.

Principais representantes do pensamento escolástico

Os maiores representantes do pensamento escolástico são os dois pensadores citados acima, que estão separados pelo tempo e pelo espaço: Agostinho de Hipona, nascido no norte da África no fim do século IV e Tomás de Aquino, nascido na Itália do século XIII. Embora seja arriscado dizer que sejam as únicas referências relevantes do período medieval, ambos conseguiram sintetizar questões discutidas através de todo o período: Agostinho enquanto mestre de opinião relevante e autoridade moral e Tomás de Aquino, pelo uso de caminhos mais eficazes na obtenção de respostas até então em aberto.






O artigo sobre o "Problema dos Universais" está dividido em dois textos (publicações), sendo que o primeiro expõe o Contexto histórico e a Escolástica, e o segundo o Conceito (questão dos Universais) e Filósofo (neste caso particular usamos Pedro Abelardo)



Em breve será publicado o restante do conteúdo total do artigo.

quarta-feira, 21 de outubro de 2009

Esquema Teológico Tomista


ESQUEMA DO PENSAMENTO TEOLOGICO DE
SANTO TOMÁS DE AQUINO.


Etapas teológicas:
Parte do universal para o particular

CRIAÇÃO = RELAÇÃO = REVELAÇÃO = HISTÓRIA

NOÉ = ALIANÇA = ALIANÇA

ABRAÃO = PATRIARCA

MOISÉS = ESTRUTURA

JUÍZES

PROFETAS

SACERDOTES = HISTÓRIA SALUTIS


CUMPRIMENTO PLENIFICAÇÃO




JESUS CRISTO

Parte do particular para o Universal


DEUS que eleva a criação

REINO DE DEUS = pregou / realizou

APOSTOLOS = escolheu

SACRAMENTO = EUCARISTIA = instituiu

PEDRO = destacou para a unidade

MORTE = venceu

RESSURREIÇÃO = luz e salvação

POVOS = para todos

IGREJA – FÉ = missão

HISTÓRIA SALUTIS


TEOLOGIA DE TOMÁS DE AQUINO:

É uma Teologia Teocentrica. Busca-se investigar ou interrogar os dados e/ou artigos da Fé pela:


RAZÃO = DEUS que se REVELA em si mesmo

TRINO = REVELAÇÃO = os seus mistérios

JESUS CRISTO: em sua santa humanidade percebemos a revelação divina de Deus em si mesmo através da Encarnação e do Mistério Pascal. Também pelos sacramentos.

VIDA BEATIFICA OU BEM-AVENTURADA = contemplação de Deus

TAREFA DA TEOLOGIA E FILOSOFIA = levarem o Ser Humano a participação.


Ou seja:

VIDA --------------- CRIAÇÃO {ANTROPOLOGIA, CRISTOLOGIA, TEOLOGIA FUNDAMENTAL, TRINDADE} ----------------- ECLESIOLOGIA ------------- ESCATOLOGIA -----------------------SALVAÇÃO {REINO DE DEUS}.

A CRIAÇÃO é o lugar teológico onde DEUS se REVELA na HISTÓRIA da humanidade pela encarnação do FILHO – JESUS CRISTO – por sua vida, morte, paixão e ressurreição, realizada pelos dons do ESPÍRITO SANTO, sendo conduzida para a plenitude da CRIAÇÃO que é um processo de humanização do homem se tornando imagem e semelhança de DEUS, salvando-se. Deste modo nasce – desenvolve – plenifica a VIDA pela dimensão da FÉ que é dom de DEUS e resposta do HOMEM.

Porém a interpretação da REVELAÇÃO histórica sempre estará condicionada pela limitação dos homens। Por isso, pode se afirmar à existência de uma condição de possibilidade, ou seja, todo lugar limita e possibilita a reflexão teológica tendo a filosofia por serva. E o que nos abre para a transcendência e acolhida – no sentido de adesão – como resposta à REVELAÇÃO é a GRAÇA DE DEUS. E o acesso dado aos homens para chegar a esta GRAÇA é a pessoa de JESUS CRISTO. ELE infunde em nós os dons, a luz do ESPÍRITO SANTO para a glória de DEUS PAI. Quem nos garante a certeza de todas estas coisas é a FÉ que deve ser vivida comunitariamente, ou seja, na IGREJA. Assim, encontra sustentação a definição de que Teologia é a FÉ que pensa a FÉ. É a FÉ, enquanto, resposta do homem pensando os artigos de FÉ dom ofertado e REVELADO por DEUS PAI no seu FILHO JESUS CRISTO na ação do ESPÍRITO SANTO.

Texto cedido gentilmente ao Blog Razão e Fé por:


Padre Diogo Naves de Oliveira

terça-feira, 22 de setembro de 2009

Ensaio literário sobre a origem do relacionamento entre a razão e a fé

Ensaio literário da origem do relacionamento entre razão e a fé


Há muitos anos atrás, quando o nada era criado apartir do Tudo e se transformava em matéria existencial, nada se poderia dizer a respeito do pensamento daquele que viria a ser a criatura surgida do nada pela simples bondade do Tudo.
Naquele tempo era comum o nada contemplar o horizonte ao seu redor e avistar o reflexo de si mesmo resplandecido no imenso espelho do Tudo. De tanto refletir a imagem não-existencial do nada, o Tudo decide criar algo além, depois de criar o nada, o Tudo elabora um plano de criação para superar “tudo” aquilo que Ele já havia feito. Então Ele cria a razão, e desenvolve um projeto que dê razão a essa criação. Esse projeto é pleno e extremamente complexo, porém não está terminado. O Tudo, tendo várias razões para criar muito mais, decide então, criar algo jamais imaginado por qualquer nada que houvesse habitado no mundo ainda não existente.
Da razão que o Tudo tinha para continuar criando, surge algo que foi carinhosamente chamado de Universo, em outro momento Ele o chamou de mundo, mundo que passará a hospedar o Tudo e o nada.
O Tudo viu que tamanha obra estava precisando de “algo mais”. E Ele tinha razão. O nada ainda tinha muito espaço para si, e não havia nada para preencher tal espaço.
Neste momento, o Tudo olhou para o espaço que havia criado, e contemplando o mundo existencial que acabara de criar, resolveu tirar o poderio que o nada exercia sobre o Seu mundo, Sua criação, obra de sua razão. Foi aí que o espaço preenchido pelo nada começou a ser questionado pelo Tudo. Mais uma vez Ele tinha razão. Não poderia deixar toda essa obra para a habitação do nada.
Então o Tudo decidiu criar algo que ocupasse parte do espaço que o nada dominava. E Ele criou algo fascinante aos Seus olhos e aos olhos transparentes do nada.
Por fim, Seu mundo já estava belíssimo, cheio de obras magníficas e rejubilantes. O Tudo olhou, e viu que ainda havia um grandioso espaço habitado pelo nada. Ele queria criar algo que ocupasse este espaço. E tinha toda razão.
De uma matéria criada pelo Tudo chamada terra, surge através do nada uma criatura extremamente diferente daquilo que o nada poderia imaginar. O Tudo, na Sua bondade, concedeu à sua criatura o privilégio de ter a imagem e semelhança parecidas com Ele. Essa criação foi carinhosamente chamada de “homem”, ou posteriormente: ser-humano.

O fato de se parecer com o Tudo, deixou o homem repleto de alegria, podendo até mesmo utilizar a razão. O Tudo tinha razão em criar o homem, e o criou racional.
O homem habituou-se ao modo racional de lidar com as coisas existentes no mundo. Que também são obras do Tudo.
Passaram-se vários anos, séculos, milênios, e a razão do homem foi se desenvolvendo gradativamente.
Nesse período de evolução consciente da razão do homem, surgem no intelecto da existência generalizada do “mundo racional” duas “famílias”.
Essas famílias foram criadas pelo Tudo, que ao perceber a evolução do pensamento do homem, colocou-as no “mundo intelectual” de suas criaturas humanas.
A primeira família era de descendência real, tinha por sobrenome “Theos”, e era composta pelo Pai e seus vários filhos.
A outra família era de origem nobre e intelectual, tinha por sobrenome “Philos” e seus membros eram a mãe e seus filhos.
Numa curva da estrada intelectual do raciocínio humano, ambas as famílias se encontram, por ocasião do aniversário do Grande Rei: o Tudo.
O Pai da família Theos cumprimentou a Sra. Philos e seus respectivos filhos fizeram o mesmo entre si.
A Sra. Philos não tinha razão para continuar a conversa, pois ambos ainda não se conheciam.
O Sr. Theos voltou para o seu recanto paradisíaco e continuamente instruía seus filhos, ensinando-os a crerem na onipotência do Tudo e obedecerem a Seus preceitos.
A Sra. Philos ao voltar para o seu palácio intelectual, ensinava seus filhos a serem estudiosos e a viverem a razão do Tudo.
Em outra ocasião, as duas famílias se encontraram novamente, desta vez em uma alegre festa, na qual era comemorada a evolução do pensamento humano.
O Sr. Theos e a Sra. Philos foram se aproximando cada vez mais, até se tornarem amigos.
Numa bela tarde de Outono o Sr. Theos resolve fazer uma visita a Sra. Philos, para lhe oferecer umas flores colhidas na Primavera da sabedoria racional criada pelo Tudo.
A relação de amizade entre ambos foi se estreitando rapidamente, de tal forma que seus filhos não gostaram.
O Sr. Theos propôs a Sra. Philos unirem-se para juntos empenharem-se rumo à verdade que ainda era questionada por muitos. A Sra. Philos aceitou o convite e aceitou se casar com o Sr. Theos, uma vez que ambos eram viúvos e poderiam casar-se novamente. Porém, seus respectivos filhos não aceitaram tal decisão, pois alegavam que não seria possível uma relação entre a razão que os filhos da Sra. Philos estudavam com a fé praticada pelos filhos do Sr. Theos.

As mais importantes famílias do País coordenado pela razão do ser-humano e habitado pela inteligência refletida na ciência da sabedoria prática, estavam prestes a se unirem. O Tudo tinha razão.

Após a aceitação dos filhos, o Sr. Theos e a Sra. Philos puderam se casar. Foi magnífica a cerimônia na qual acontecia a maior união de todos os tempos.
Passado muito tempo, o casal teve duas filhas que foram carinhosamente chamadas: Logia e Sophia. Porém, herdaram os nomes de seus pais: Theos e Philos, e foram chamadas: Theologia e Philosophia.
A Theologia sempre procurou trilhar os caminhos de seu Pai Sr. Theos, crendo no poder do Tudo, amando-O e fazendo conforme Sua vontade. Já a Philosophia estava mais ligada á sua mãe, questionando tudo o que via, procurando indagar tudo quanto existia na realidade a qual estava inserida.

E, assim, trilhando por caminhos "distintos", as duas filhas do Sr. Theos e da Sra. Philos foram em busca daquilo que fez com que se encontrassem pelo caminho: a Verdade, e a Verdade era o Tudo.

Sem. Aldo César dos Reis Borba Júnior
Para a Glória de Deus e para a Igreja

sábado, 5 de setembro de 2009

Operários do interno

Operários do interno


Na atualidade e em todos os tempos da história humana, o termo trabalho é empregado para designar uma ação externa do homem ou de algo que possa fazer com que alguma matéria se transforme ou simplesmente seja movida. Essa palavra nos faz lembrar as lutas operárias e das grandes revoluções que afetaram não somente o modo pelo qual as coisas são transformadas ou movidas, mas também todo o modo de viver e pensar do ser-humano.
O trabalho proporcionado pelas mãos humanas evoluiu-se a tal ponto de ser substituído por mãos de aço que não se cansam, não sentem fome, nem dor, principalmente a dor.
Toda a evolução desse trabalho pode ser caracterizada por um fator predominante na época em que vivemos: a comodidade.
O homem não precisa mais utilizar as suas próprias mãos para plantar a semente, e com um simples “apertar de um botão” faz com que toda a sua terra esteja semeada com os melhores grãos. Isso é comodidade.

Trabalhar a terra, o ferro, a madeira; transformar as coisas denominadas “matéria-prima” em instrumentos de praticidade tem sido uma das maiores conquistas da humanidade.
Na tumultuada situação trabalhista em que vivemos, o homem esqueceu-se de uma coisa simples e necessária. No meio de tantos desafios tecnológicos, evolutivos e financeiros, principalmente financeiros, a pessoa humana se esqueceu de trabalhar a si própria. Isso é comodidade.
Diante de uma constante e caótica correria do dia-dia; diante do turbulento barulho do trânsito, das máquinas ensurdecedoras que se abrigam não muito longe dos nossos ouvidos, daqueles que assaltam o nosso silêncio e fazem com que abandonemos o nosso pensamento que incansavelmente tenta procurar um oásis calado e sereno; diante de um mundo que não permite que o homem pare, contemplamos uma situação complicada.

O homem tem trabalhado muito em meio a tantas construções, obras magníficas com formas que desafiam a gravidade, porém, não é capaz de parar. Parar para si, para o outro e para Deus.
O ato de parar, não implica que o homem deva deixar de trabalhar, pelo contrário, é quando ele pára, que pode então iniciar outra obra. Uma obra que não é feita de concreto, não se usa aparelhos ou tecnologia, não se precisa das máquinas. É quando o homem silencia sua voz e suas ações externas, para falar e trabalhar o interno, o principal. É quando ele se torna um operário interior.

Quando o operário externo se torna um operário do interno, inicia o percurso da via do silêncio, e chega a um deserto árido no qual se pode avistar as ruínas de seu castelo interior.
Deseja chegar ao castelo, mas percebe a dificuldade imposta pelo deserto, e aos poucos vai caminhando; um peregrino espiritual, que caminha no mais profundo de seu ser, um caminheiro no deserto de suas próprias limitações, fragilidades e dificuldades. Um operário rumo à obra mais importante de sua vida. Um trabalhador.

O operário do interno atravessa o deserto e supera a aridez bebendo da fonte que jorra cristalina no coração de sua fé.
Quando ele começa a construir as colunas de seu castelo ou de sua simples morada espiritual, que são feitas com tijolos de silêncio apanhados num deserto distante, ele faz de si um novo operário, um construtor de moradas interiores.
Ele não é mais um “mestre-de-obras”, um arquiteto da aparência. O barulho do mundo, as imposições da realidade e o externo que o rodeia não mais impede que o seu silêncio trilhe a estrada que leva ao seu castelo.
O trabalho não deve ser apenas uma atitude física que proporcione uma imagem visível; o trabalho do homem deve, antes de tudo, transformar, lapidar e dar brilho aos tijolos de seus castelos interiores ou de suas simples moradas espirituais.
E assim, o trabalho do mundo externo é diluído pela estrada do silêncio, onde passam por ela muitos operários, operários do interno.


Aldo César dos Reis Borba Júnior
Seminarista Diocesano

quarta-feira, 15 de abril de 2009

Filosofia e segurança pública

A falta de segurança tem causado grandes discussões no meio acadêmico, político, social e, sobretudo no religioso por meio da Campanha da Fraternidade realizada a cada ano pela Igreja Católica através da Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB) que com temas excepcionalmente relacionados à sociedade, visa promover valores que acentuam maior dignidade à pessoa humana inserida nesse contexto social.

Muitos líderes de diversos poderes tentam explicar o problema da falta de segurança pública, o que acontece há muito tempo. O fato é que, explicações não resolvem o problema. Neste ano a CNBB escolheu como tema da Campanha da Fraternidade: “Fraternidade e Segurança pública” e lema: “A Paz é fruto da justiça”.

É uma discussão política e social, mas, sobretudo é uma discussão humana, pois o governo não pode, por lei natural (Sto. Tomás) engessar e manipular o pensamento da sociedade, pois, cabe ao governo , uma vez que o Estado é um poder temporal, promover e assegurar o bem comum.
O ser - humano tem por natureza própria o desejo inquiridor, deseja saber a razão das coisas existirem e serem tais como são no universo ao qual pertencem.

Cícero dizia que a filosofia “é o estudo das causas humanas e divinas das coisas”. Portanto vemos que é direito do homem, pensar e buscar as respostas para as perguntas que lhe são impostas pela realidade à qual habita.

“Primum vivere, deinde philosophare” (primeiro viver, depois filosofar), diz um célebre provérbio latino. O sentido é que, sem determinadas condições sociais, econômicas e políticas, torna-se difícil qualquer especulação filosófica (como, além disso, qualquer outra atividade cultural séria).

Vê-se na atualidade uma “quebra” da busca pela verdade. Poder-se-ia comparar um político a um sofista. Porque os Sofistas buscam o sucesso e ensinam como conseguí-lo e, segundo eles, para ter sucesso é necessário fazer carreira. Usam da arte de persuadir, diferentemente da filosofia, que é procura da verdade.

O Estado, segundo Santo Tomás, é uma sociedade, isso porque é “coadunatio plurium ad aliquid communiter agendum.” (união de muitos para fazerem alguma coisa em comum.) e porque tem um fim próprio, o “bonum commune” (o bem comum).
Pode-se dizer que as relações entre Estado e Igreja são semelhantes às relações entre filosofia e teologia; o Estado subordina-se à Igreja como a filosofia à teologia, mas no seu campo tem plena autonomia como a primeira a respeito da segunda.

Concluindo, podemos analisar que é dever de todo ser – humano se empenhar na busca pela segurança pública. Não cabe apenas ao estado trabalhar para o bem comum da sociedade, mas também ao homem, segundo Santo Tomás, “o Estado nasce da natureza social do homem e das limitações do indivíduo”. De fato, todos são responsáveis pelo bem comum, uma vez que todos estejam inseridos na sociedade enquanto lugar da habitação humana.

Que o homem, enquanto ser político e social busque intrinsecamente o bem comum e a verdade nele contida para que a Campanha da Fraternidade não termine em meras explicações sobre segurança pública, mas que germine as sementes da Paz, que é fruto da justiça.
Sem. Aldo César dos Reis Borba Júnior
Comunidade Propedêutica Dom Almir

terça-feira, 24 de março de 2009

Lei



“Ordenar é o ofício do sábio” (Aristóteles)

Lei em geral

A lei é uma ordenação da razão, no sentido de que se apóia em considerações que a justificam. É, pois, o contrário de uma ordem arbitrária, baseada no simples capricho.
A lei tem por fim o bem comum. Sem dúvida, a lei obriga cada indivíduo, mas se dirige a todos, tendo em vista o bem comum de todos. Ora, esse bem comum de todos é sempre e necessariamente o próprio Deus.
A lei deve ser promulgada, sem o que não poderia obrigar porque se dirige antes de tudo à inteligência e não poder ser obedecida se não for suficientemente conhecida.
A lei é sustentada por aquele que dirige a comunidade. Por aquele a quem compete ordenar para o bem comum: Deus de início, depois todos os que exercem em seu nome a autoridade que não pertence senão a Ele.

Santo Tomás distingue três tipos de lei, que dirigem a comunidade ao bem comum. O primeiro é constituído pela lei natural (conservação da vida, geração e educação dos filhos, desejo da verdade); o segundo inclui as leis humanas ou positivas, natural e dirigida á utilidade comum; finalmente a lei divina guiaria o homem à consecução de seu fim sobrenatural, enquanto alma imortal.

O dever do Estado, sendo um poder temporal, é promover e assegurar o bem comum. O Estado é uma instituição natural.

A Igreja é uma instituição dotada fundamentalmente de fins sobrenaturais. Desse modo, o Estado não precisa se subordinar à Igreja, como se ela fosse um Estado superior.
Tal subordinação deveria limitar-se aos vínculos de subordinação existentes entre a ordem natural e a ordem sobrenatural, na medida em que esta aperfeiçoaria a primeira.
A harmonização no plano social e político, entre poder temporal e poder espiritual seria, portanto, análoga à que Santo Tomás procura estabelecer entre filosofia e teologia, entre razão e fé.




Fontes:
“Sto. Tomás de Aquino, seleção de textos – Dante Alighieri – Os Pensadores, 1988”
Curso de Filosofia – Régis Joliviet, 1979



Org. Sem. Aldo César dos Reis Borba Júnior
Comunidade Propedêutica Dom Almir

sexta-feira, 6 de fevereiro de 2009

O mundo que copia, mas não cria.

O mundo atual é altamente "copiador" de idéias, conhecimentos e sabedoria.

Não mais se cria um pensamento, no mundo moderno tudo se copia. Principalmente no que se refere ao meio intelectual. Vê-se avanços nítidos da ciência biológica e tecnológica, mas e a ciência superior? De onde vieram as "instruções" para a biologia ou para os avanços tecnológicos que nos cercam? Da Filosofia, do esforço de muitos que gastaram suas vidas para que o mundo e as dúvidas do ser-humano fossem explicadas por meio da razão exercitada na ciência da sabedoria prática.

E de onde os estudiosos, cientistas e intelectuais da nossa época abstraem o conhecimento que possuem? Não seria daquilo que já possui em si, aspectos portadores de tais conhecimentos que, de fato, são capazes de projetar novas mentes intelectuais para nosso mundo moderno? Mas não é isso que vemos!

Infelizmente o "mundo moderno" não CRIA nada! Apenas copia. Talvez isso aconteça pelo fato de terem se acostumados com aquelas máquinas copiadoras e mais que isso, tentam copiar seres vivos, inclusive os humanos.

De onde viria essa carência de autenticidade moderna? Talvez seja originária do próprio modernismo, que impõe tão poucos ascpetos intelectuais aos seres-humanos que eles por si próprios não vêm necessidade de ir além daquilo que já conhecem, experimentam ou vivem.

O mundo está carente de novidade! Nas escolas, por exemplo, todo ano se repete os ensinamentos sobre: Platão, Aristóteles, Santo Agostinho, Santo Tomás de Aquino, Descartes, Hegel e etc... Infelizmente estão sendo ensinados com mais frequência os pensamentos de Marx, que com seu "socialismo egoísta" vêm causando conflitos em várias partes do meio acadêmico filosófico e social. Porém, onde estão os filósofos do nosso tempo? Será que as escolas vão ensinar os mesmos conceitos para o resto da vida?Se Tomás de Aquino, por exemplo, deixou uma doutrina filosófica exuberante, por que os seus seguidores (Tomistas) não tomam um caminho autêntico quanto ao modo pelo qual filosofam? É possível ser Tomista e autor de algo "diferente" do Tomismo? Sim, é possível, pois isso faz parte da individualidade do pensamento de cada ser racional.Então será que daqui 50 anos teremos novos Filósofos para serem ensinados nas escolas e universidades? Se o mundo continuar a "copiar", NÃO!Mas se o mundo moderno, por necessidade própria, desejar algo "novo", será possível sim. Não que a Filosofia antiga, medieval e moderna devem ser abolidas dos meios acadêmicos, mas que os novos estudantes devam buscar, assim como os primeiros, a razão das coisas existirem e serem tais como são no Universo ao qual pertencem.

Busquemos nossa autenticidade, empenhando-nos fervorosamente neste labor interminável em busca da verdade, porém, nos curvando diante da fé!

Autor: Voc. Aldo César dos Reis Borba Júnior
fonte: Blog Razão e Fé

quinta-feira, 25 de dezembro de 2008

Filosofia e Teologia

No cerne do sistema tomista há a distinção entre a teologia natural e a teologia revelada. A primeira vem da experiência sensível e da atividade da razão; a segunda, da fé, da graça divina e das Escrituras. O objetivo das duas, porém, é a apreensão de Deus. Quanto às relações entre filosofia e teologia, entre razão e revelação, Santo Tomás diferencia essas duas ordens de conhecimento, alegando que a filosofia é conhecimento e demonstração racionais, que parte de princípios evidentes e chega a conclusões inteligíveis; e a teologia é fundada sobre a revelação divina, que é indubitável. São, pois, ordens distintas do saber. No entanto, a revelação continua sendo o critério de verdade: se houver contradição entre revelação e filosofia, esta será falsa, fruto de uma razão que perdeu o rumo. Caberá ao filósofo reencontrar o caminho racional para chegar à verdade.

Com efeito, Santo Tomás começa distinguindo entre filosofia e teologia para, depois, estabelecer a harmonia e conciliação entre ambas. O fundamento da diferenciação tomista entre os campos da filosofia e da teologia é a distinção entre a ordem natural e a ordem sobrenatural. Tais ordens, apesar de distintas, não são opostas ou contraditórias, mas complementam-se harmonicamente, pois a graça não destrói a natureza; antes, a eleva e aperfeiçoa, já que a razão humana é um reflexo da própria razão divina. Por isso Santo Tomás distingue dois tipos de conhecimento: o natural, que procede da capacidade natural da razão humana e cujo resultado é a filosofia, que tem suas leis e métodos próprios, possuindo o caráter de verdadeira ciência; e o sobrenatural, que não procede da razão humana, mas da revelação divina.

Entretanto, esses dois tipos de conhecimento (o da razão e o da fé) têm a mesma origem: Deus. Por isso não pode haver entre eles contradição intrínseca, pois são apenas modos diferentes de participação numa mesma verdade, sendo evidente para o cristão que as relações entre ambos devem ser de subordinação do conhecimento racional ao obtido pela revelação.

A revelação e a filosofia são completas e autônomas em seus respectivos campos de saber. Contudo, podem beneficiar-se mutuamente, e dessa colaboração harmônica entre razão e fé resulta uma nova ciência, tipicamente cristã: a Teologia.

Para Santo Tomás, existem dois tipos de teologia: uma, puramente racional, elaborada autonomamente pela filosofia, e outra, cristã, resultante de colaboração entre razão e a fé. A teologia cristã é uma ciência divina, o que não compromete seu caráter científico.

Fonte de pesquisa: "Diamante do Saber - introdução ao estudo de filosofia"
Organizador: Ronaldo Rocha

Aldo César dos Reis Borba Júnior

domingo, 14 de dezembro de 2008

O princípio de identidade (Aristóteles)

Como ciência (epistéme), isto é, como conhecimento necessário e universal, a filosofia distingue-se da opinião (doxa), que varia de acordo com as situações, os sujeitos e as mudanças da realidade. A garantia de um saber verdadeiro está na possibilidade de sua demonstração a partir de um outro conhecimento já demonstrado como verdadeiro. Esse processo seria levado ao infinito, impossibilitando a ciência, se o homem não pudesse perceber como imediatamente evidentes algumas verdades que, por isso mesmo, dispensam demonstração e são consideradas axiomas. A folosofia encontra-se no princípio da não-contradição sua verdade axiomática fundamental. Segundo esse princípio, é impossível que o mesmo atributo pertença e ao mesmo tempo ao mesmo sujeito, e na mesma relação.

Fonte: "Diamante do Saber - introdução ao estudo de filosofia"
Org. Ronaldo Rocha

Aldo César dos Reis Borba Júnior

domingo, 7 de dezembro de 2008

Amor pelo Saber (Introdução)


De origem grega, a palavra "filosofia" (philosophia) significa etimológicamente "amor à sabedoria". O termo foi empregado pela primeira vez por volta do século VI a.C. por Pitágoras (c.580-497 a.C.), que, além de matemático, se dizia "filósofo": isto é, um amigo e amante do saber.Segundo historiadores, a Filosofia nasceu na cidade de Mileto, no final do século VII e início do século VI a.C., nas colônias gregas da Ásia Menor. O primeiro filósofo foi Tales de Mileto (c. 625-558 a.C.). Tanto ele como todos os outros pensadores helênicos (gregos), com algumas exceções, começaram com a indagação: o que é a realidade? Por essa pergunta, principia o pensamento racional humano e a própria Filosofia, que apresenta um conteúdo preciso ao nascer: é uma cosmologia, isto é, um conhecimento recional da ordem do mundo ou da Natureza (physis).A Filosofia teria nascido pelas transformações que os gregos impuseram ao conhecimento: da agrimensura (egípcios), fizeram surgir a aritmética e a geometria; da astrologia (caldeus e babilônicos), teriam feito nascer a astronomia e a meteorologia; dos mistérios religiosos de purificação da alma (orientais), fizeram surgir as teorias filosóficas sobre a natureza e o destino da alma humana. A Filosofia é grega no sentido de que possui características desenvolvidas por outros povos e culturas.

fonte: "Diamante do Saber - introdução ao estudo de filosofia" Organizador: Ronaldo Rocha